O combate a incêndios em Portugal sofre de um equívoco. (Um? Vários, mas falemos só de um, hoje). Noventa por cento da formação dos bombeiros voluntários, que representam praticamente a estrutura básica de combates a incêndios, está direccionada para o combate ao fogo florestal. E é, também o combate ao fogo florestal que consome a maioria dos recursos do socorro no nosso País.
Ora, ao contrário do que costumamos pensar, os incêndios florestais não se combatem. Controlam-se, para evitar a sua propagação e pronto, praticamente nada mais há a fazer, a não ser evitar que de florestais se tornem em urbanos. O que se combate, isso sim, é o incêndio hurbano e industrial, geralmente em locais onde também existem vidas humanas em perigo.
Uma experiência interessante é, sem dúvida, a do Curso de Combate a Incêndios Urbanos e Industriais da Escola Nacional de Bombeiros wm S. João da Madeira. No ano passado, nos 13 cursos desta valência ai administrados passaram cerca de 250 bombeiros. A maioria chegou ao curso sem ter sequer a instrução básica, que devia ter sido ministrada nos corpos de origem. Oitenta por cento não sabia manusear o equipamento respiratório e num exercício real, alguns entraram em pânico.
Quinze por cento desistiram.
A dureza deste curso é comparável à do curso da Escola de Sapadores Bombeiros, em Lisboa.
Que haja cursos com este nível de exigência é bom. O que é mau é a ignorância com que os candidatos chegam a ele, por omissão de instrução de base...
Quinze por cento acabou por desistir