Que me lembre, nunca esperei com tanta ansiedade os tenros brotos dos lódãos da minha rua como no presente Inverno. Mas esta manhã, quando rolava tranquilo na moto, descortinei-os, pouco mais que milimétricos, nos ramos ainda despidos. Como se me alegrou a alma!
E o meu pensamento voou também para outros ramos nús, cortados, mas prenhes de vida, que também devem estar a rebentar, nas planícies das 'Terras do Grande Lago'. Ramos que, a seu tempo, se vestirão de folhas verdes claras e de minúsculos cachos, quais cabeças-de-alfinete, promessas de doces uvas, do milagre mediterrânico do vinho, seiva daquelas terras saibrosas.
Com o consolo da alma segui tranquilo...
Entretanto, cientistas dos departamentos de Psicologia e de Saúde de Universidades do Reino Unido, Estados Unidos e Canadá publicaram na revista PLOS Medicine os resultados de um estudo que apontam um fraco resultado real dos medicamentos anti-depressivos da família dos inibidores selectivos de serotonina.
Segundo o estudo, nos casos de depressões leves, os placebos obtiveram tão bons resultados quanto medicamentos como o Prozac, Seroxat, Effexor ou Serzone. Já nas depressões pesadas, aí sim, registaram-se resultados satisfatórios com o uso dos referidos medicamentos, combinado com psicoterapia.
Estas novidades fazem-me recordar que Portugal é um país de gente deprimida. E esta depressão colectiva prende-se com o esvaziar das espectativas, com a falta de tempo para o carinho, com o egoísmo com que nos olhamos e não olhamos o 'outro'. E penso, talvez ingenuamente, que se tivéssemos uma outra atitude, outro mundo seria possível...
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