Desde há muito que uma das figuras da História de Portugal que mais admiro é o rei Filipe I (II de Espanha), conhecido no país vizinho por 'el rey papelero', dada a sua capacidade de trabalho e a sua 'produção' legislativa.
Tornado rei de Portugal em 1580 por vicissitudes da História, sempre teve o bom senso de não unir os dois reinos. Sempre os encarou como Estados separados que, por acaso, tinham o mesmo rei.
Agora, pela mão do historiador Henry Kamen surge uma nova biografia do rei(Filipe I. O Rei que uniu Portugal e Espanha, editora Esfera dos Livros), pondo a nota na sua dimensão humana.
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Segundo Kamen, Felipe I não tinha interesse em Portugal, embora se considerasse um português: sua mãe e sua ama eram portuguesas, assim como o português era a única língua que falava bem, a par do castelhano e de um pouco de catalão.
Registe-se que, curiosamente, sempre que um rei de Espanha pretendeu a coroa portuguesa, tinha o direito sucessório do seu lado, que lhe apoiava as pretensões. Ao longo da História, o único pretendente espanhol a Portugal, sem apoio de 'juris', foi Godoy, como o beneplácito de Napoleão. Mas Godoy também não era rei...
Voltando a Felipe, este recusa a ostentação típica dos monarcas europeus do seu tempo. Roupas simples, nunca foi representado a cavalo - símbolo de poder - e que achava que o poder era emanado de Deus e de não de si mesmo, entendendo que o monarca era, de todos os cidadãos de um reino aquele que mais deveres tinha. A suma humildade foi a tal ponto que, um ano antes de assumir a coroa portuguesa, aboliu o tratamento de magestade, reclamando o simples 'senhor', remetendo a monarquia para o um papel de servir o povo e não ser servida.
Henry Kamen, professor do Conselho Superior de Investigação Científica em Barcelona, considera que a entrada de Felipe I em Portugal resultou de circunstâncias internacionais e teve o objectivo de evitar que o país fosse ocupado pelos ingleses ou os franceses, principais adversários de Espanha. Por outro lado, na política ultramarina, havia na época uma preocupação real: o crescente poder dos protestantes na América do Norte e consequente ameaça para os católicos nas colóniasque Espanha detinha no continente, em última análise, para o Brasil e para as colónias espanholas na América meridional.
Finalmente, há duas fases na personalidade de Felipe: uma primeira centrada na dimensão ibérica, que se altera profundamente após a viagem que o monarca fez em 1548 aos Países Baixos, Itália e Alemanha. A partir daí, este que foi o rei mais viajado do seu tempo, pois além desta viajem ainda viveu cinco anos em Inglaterra e três em Portugal, importa ideias e modelos: encomenda retratos a Ticiano, segue os modelos dos paláicos e jardins dos Países Baixos, contrata arquitectos italianos para construir palácios seus, em Espanha e em Portugal.
É partir do seu Reinado que Espanha se tornou verdadeiramente grande, monumental, uma influência que ainda predura nos dias de hoje, mais de 400 anos depois.

Pois, este Felipe eu não conhecia, mas sua história e condutas, parece-me, dão uma nova perspectiva ao poder monárquico. Aguçou meu espírito para novas informações. Um abraço.
Posted by: Isadora Ataíde | março 13, 2008 at 11:09 Antes do meio-dia
pode-se dizer que Filipe nao tinha interesse em Portugal, mas sim na armada naval porrtuguesa.
O interesse dele de dominar a Europa era igual ao de Inglaterra ou France
Posted by: leonora | março 17, 2008 at 10:02 Depois do meio-dia