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Monárquicos...

Portugal é um país com características assaz curiosas. Porventura a República mais monárquica do Mundo. Somos República, mas continuam as mordomias simbólicas aos detentores de títulos nobiliários.

Agora, com o pretexto dos 100 anos do regicídio de D. Carlos e de D. Luís Filipe, os monárquicos portugueses, congregados na Causa Monárquica, pretenderam entregar uma petição na Assembleia da República para que dia 1 de Fevereiro fosse decretado dia de luto nacional pelo assassinato real. Coisa bastante estranha a ser pedida em sede do Regime Republicano.Regicidi (Ilustração do jornal 'O Mundo' sobre o regicídio de 2 de Fevereiro de 1908)

Mas mesmo assim, os monárquicos mostraram, uma vez mais porque ruiu a monarquia portuguesa: estupidez natural. É que a petição não irá ter efeitos práticos, logo à partida por não respeitar o prazo mínimo de ser entregue no Parlamento.

"Acordámos tardiamente e apesar de termos conseguido mais do que as 4.000 assinaturas necessárias, não chegámos a tempo para cumprir todos os trâmites necessários para descer a plenário, mas vale pelo acto simbólico", disse à Agência Lusa João Paredes, da Real Associação da Madeira, que liderou a iniciativa.

E com isto está tudo dito. Além de um idiota a pretender ser o Rei de Portugal, o resto mostra que os monárquicos portugueses continuam a 'dormir na formatura'. E é gente desta que sonha em mudar o país? Já dizia Bocage: "Fidalguia sem comedoria, é gaita que não assobia". Pois. São "gaita que não assobia"...

janeiro 28, 2008 | Permalink | Comments (2)

Para reflectir...

Para quem já teve a oportunidade de ver o novo filme de Brian De Palma "Censurado" aqui fica mais um contributo. Boa leitura.
Testemunho de Jimmy Massey, ex-"marine" no Iraque 18/12/07
"Tenho 32 anos e sou um assassino psicopata bem treinado. Tudo o que sei fazer na vida é vender aos jovens a ideia de se alistarem nos Marines e de matar. Sou incapaz de segurar um emprego. Para mim todos os civis são uns seres desprezíveis, uns atrasados mentais, uns fracos, um rebanho de carneiros. E eu sou o cão do pastor. O depredador. Na tropa chamavam-me 'Jimmy o Tubarão'".Este é o segundo parágrafo do livro escrito há 3 anos por Jimmy Massey, com a ajuda da jornalista Natasha Saulnier. Kill! Kill! Kill! [título da versão em francês] foi apresentado no Salão do Livro de Caracas; trata-se do depoimento mais violento jamais escrito por um ex-membro do corpo de marines, chegado ao Iraque com as tropas de invasão em 2003. Decidiu contar, as vezes que for preciso, como pode representar durante 12 anos o papel de um marine impiedoso e porque é que esta guerra o fez mudar.Jimmy participou no principal debate do Salão do Livro, cujo título era no mínimo polémico: "É possível uma revolução nos Estados Unidos?", e o seu testemunho é sem dúvida alguma aquele que mais impressionou o público. Tem o cabelo curto (corte militar), óculos escuros, um passo marcial e os braços cobertos de tatuagens. Tem exactamente o ar do que era: um marine. Quando fala, é diferente: está profundamente marcado por uma experiência alucinante, que gostaria de evitar a outros jovens ingénuos. Como diz no seu livro, não é o único a ter matado no Iraque: era também esse o exercício quotidiano dos seus companheiros. Quatro anos depois de ter deixado o teatro de operações, os pesadelos ainda o perseguem.Rosa Miriam Elizalde (RME): Que significam essas tatuagens todas?Jimmy Massey (JM): Tenho muitas. Quis que mas fizessem quando estava na tropa. Na mão (mostra a zona entre o polegar e o anular), o símbolo da Blackwater, um exército de mercenários que foi criado onde eu nasci, na Carolina do Norte. Mandei fazê-la em sinal de contestação, porque os marines estão proibidos de terem tatuagens nos pulsos e nas mãos. Um dis, com os elementos do meu pelotão, embebedámo-nos todos e fizemos todos a mesma tatuagem: um cowboy de olhos injectados de sangue, num fundo de ases, a imagem da morte. Sim, quer dizer exactamente o que estás a pensar: "tu mataste alguém". No braço direito, o símbolo dos marines, a bandeira dos Estados Unidos e a do Texas, onde me alistei. No peito, do lado esquerdo, um dragão chinês que rasga a pele e significa que a dor é a fraqueza a escapar-se do corpo. Aquilo que não nos mata, torna-nos mais fortes.
RME: Porque diz que encontrou nos marines as piores pessoas que já conheceu?JM: Os Estados Unidos usam os seus marines de duas maneiras: nas tarefas humanitárias, e para assassinar. Eu passei 12 anos nos corpos de marines dos EUA e nunca fui destacado para uma missão humanitária.RME: Antes de partir para o Iraque, V. recrutava jovens para o exército? O que é ser-se recrutador nos Estados Unidos?JM: Para recrutar é preciso mentir. A administração Bush forçou a juventude estadunidense a alistar-se no exército. De que maneira? Utilizando um processo que era também o meu: ofertas económicas. Em três anos fiz 74 recrutamentos, nenhum deles me disse querer entrar no exército para defender o seu país, nenhum tiva uma motivação patriótica. Queriam dinheiro para poderem entrar para a universidade ou para ter um seguro de saúde. Eu começava por lhes falar de todas essas vantagens, e só no fim lhes confirmava que iam servir a causa da pátria. Nunca consegui recrutar um único filho de ricos. Um recrutador que queira defender o emprego não se pode deixar atrapalhar pelos escrúpulos.
RME: O Pentágono abrandou as condições requeridas para entrar no exército. Que significa isso?JM: Os padrões de recrutamento baixaram muito, porque já quase ninguém se quer alistar. Os problemas de saúde mental ou o registo criminal já não são obstáculos. Pessoas que cometeram actos que lhes valeram mais de um ano de prisão, delitos considerados como graves, podem entrar no exército, do mesmo modo que os jovens que ainda não acabaram os estudos secundários. Se passarem o teste mental, são admitidos.RME: V. mudou quando voltou da guerra, mais quais eram os seus sentimentos antes disso?JM: Eu era um rufião qualquer, que acreditava em tudo o que lhe diziam. Foi quando me tornei recrutador que comecei a sentir-me mal: tinha de estar sempre a mentir.RME: Mas V. estava convencido de que o seu país estava a fazer uma guerra justa contra o Iraque.JM: Sim, os relatórios que recebíamos indicavam que Saddam tinha armas de destruição massiva. Só mais tarde é que ficámos a saber que era tudo mentira.RME: Quando é que ficaram a saber?JM: No Iraque, quando lá cheguei em Março de 2003. O meu pelotão foi mandado para umas instalações que tinham sido do exército iraquiano e, aí, encontrámos milhares e milhares de caixas de munições com etiquetas dos Estados Unidos: estavam ali desde que os EUA tinham decidido apoiar o Iraque na sua guerra contra o Irão.
Eu vi aquelas caixas com a bandeira dos Estados Unidos, até vi tanques norte-americanos. Os meus marines – eu era sargento de categoria E6, uma patente superior à de um simples sargento, e comandava 45 marines –, os meus homens perguntavam-me porque é que estavam munições estadunidenses ali no Iraque. Não compreendiam. Os relatórios da CIA tinham-nos convencido de que Salmon Pac era um campo de treino de terroristas e que lá íamos encontrar armas químicas e biológicas. Ora nós não encontrámos nada disso. Foi aí que comecei a suspeitar de que o conteúdo da nossa missão era o petróleo.RME: As passagens mais impressionantes do seu livro são aquelas em que V. reconhece que, nessa altura, era um assassino psicopata. Quer explicar porque diz isso?JM: Tornei-me um assassino psicopata porque fui treinado para matar. Eu não nasci com essa mentalidade. Foi o Corpo de Infantaria da Marinha que fez de mim um gangster ao serviço das grandes multinacionais estadunidenses, um vulgar delinquente. Fui treinado para executar cegamente as ordens do presidente dos Estados Unidos e para trazer para o país aquilo que ele pedisse, fora de qualquer consideração moral. Era um psicopata porque aprendi a atirar primeiro e perguntar depois, como um doente e não como um soldado profissional que só deve enfrentar outro soldado. Portanto, se era preciso matar mulheres e crianças, nós matávamos mulheres e crianças. Por conseguinte já não éramos soldados, mas sim mercenários.RME: Como é que chegou a essa conclusão?JM: Foi depois de passar por várias experiências. O nosso trabalho consistia em entrar em certos bairros urbanos e em tratar da segurança nas estradas. Houve um incidente, entre muitos outros, que me deixou à beira do precipício: um carro que transportava civis iraquianos. Todos os relatórios dos serviços secretos que nos vinham parar às mãos diziam que os carros estavam cheios de bombas e explosivos. Não tínhamos outras informações. Os carros chegavam e nós atirávamos algumas rajadas de aviso; se não abrandassem para avançar à velocidade que nós mandávamos, atirávamos sem hesitar.
RME: Com metralhadoras?JM: Sim, e ficávamos à espera das explosões, pois os carros ficavam crivados de balas. Nunca houve explosão. Depois, abríamos o carro e o que encontrávamos? Mortos e feridos, mas nem uma só arma, nenhuma propaganda da Al Qaeda. Nada. Civis que chagaram ao sítio errado no momento errado.RME: V. conta também que o seu pelotão metralhou uma manifestação pacífica. Como é que isso aconteceu?JM: Foi nas imediações do complexo militar de Rashid, a sul de Bagdade, perto do [rio] Tigre. Havia manifestantes ao fundo da rua. Eram jovens e não estavam armados. Avançámos e vimos um tanque estacionado de um dos lados da rua. O condutor do tanque disse-nos que eram manifestantes pacíficos. Se os iraquianos quisessem fazer alguma coisa, podiam ter feito explodir o tanque, mas não o fizeram. Nós estávamos tranquilos, pensávamos: "Se eles quisessem fazer fogo já o teriam feito". Estavam a cerca de duzentos metros…RME: E quem deu ordem para metralhar os manifestantes?JM: O alto comando disse-nos para não perdermos de vista os civis, porque muitos fedayins da Guarda Republicana tiravam o uniforme e vestiam-se à civil para lançar ataques terroristas contra os soldados estadunidenses. Os relatórios dos serviços de informações eram do conhecimento de todos os elementos da cadeia de comando. Todos os marines tinham uma ideia muito clara da estrutura da cadeia de comando organizada no Iraque. Creio que a ordem para fazer fogo vinha de altos funcionários da Administração, tanto dos centros de informações militares como do governo.RME: Que fez V.?JM: Voltei para o meu veículo, um humvee [jipe fortemente equipado e blindado], e senti passar uma bala por cima da minha cabeça. Os marines começaram a atirar, e eu também. Não houve reacção de fogo do lado dos manifestantes. Eu tinha dado doze tiros, e nem um tiro de volta… Quis certificar-me de que tínhamos morto alguém segundo as normas de combate da Convenção de Genebra e os procedimentos regulamentares das operações. Tentei esquecer-me daqueles rostos e pus-me à procura das armas deles, mas não havia uma só que fosse.RME: E como reagiram os seus superiores?
JM: Disseram-me: "São merdas que acontecem".
RME: Quando os seus camaradas souberam que tinham sido enganados, como reagiram?
JM: Eu era o segundo chefe. Os meus marines perguntavam-me porque é que matávamos tantos civis. "Não podes falar com o tenente?", diziam-me. "Diz-lhes que precisamos de material apropriado para isto". A resposta foi: "Não!" Quando os meus marines deram conta de que se tratava de uma grande mentira, ficaram como loucos.A nossa primeira missão no Iraque não tinha como objectivo levar-lhe ajuda alimentar, como diziam os médias, mas assegurar o controlo das explorações petrolíferas de Bassorá. Na cidade de Kerbala tínhamos usado a nossa artilharia 24 horas seguidas. Foi a primeira cidade que atacámos. Eu cá pensava que íamos levar ajuda médica e alimentar à população. Não. Continuámos o nosso caminho até às explorações petrolíferas. Antes do Iraque, tínhamos ido ao Kuwait.Chegámos em Janeiro de 2003. Os nossos veículos estavam cheios de víveres e de medicamentos. Perguntei ao tenente o que íamos fazer, pois com todo esse material a bordo quase não havia espaço para nós. Respondeu-me que o capitão lhe tinha dado ordem para deixar aquilo tudo no Kuwait. Pouco depois, fomos encarregados de queimar tudo: todos os víveres e todo o material médico humanitário.RME: V. também denunciou o uso de urânio empobrecido…
JM: Tenho 35 anos e a minha capacidade respiratória foi reduzida em 20%. Os médicos dizem que sofro de uma doença degenerativa da coluna vertebral, que é acompanhada por fadiga crónica e dores nos tendões. Outrora, eu corria todos os dias 10 km só pelo prazer, e agora mal consigo caminhar cinco ou seis quilómetros. Até tenho medo de ter filhos. Tenho inflamações na cara. Olha para esta fotografia (mostra-me a foto do cartão de identificação do Salão do Livro), foi tirada pouco depois de eu voltar do Iraque. Pareço uma criatura do Frankenstein e isso devo-o ao urânio empobrecido. Imagina só o que os pobres iraquianos tiveram de aguentar…RME: E o que aconteceu quando regressaram aos Estados Unidos?JM: Passava por doido, por cobarde, por traidor.RME: Os seus superiores dizem que tudo o que conta não passa de mentiras.
JM: Mas as provas contra eles são esmagadoras. O exército norte-americano está esgotado. Quanto mais esta guerra durar, mais a minha verdade terá possibilidade de vir à luz do dia.
RME: O livro que apresentou na Venezuela existe em castelhano e em francês. Porque é que não foi publicado nos Estados Unidos?JM: Os editores exigiram que os nomes das pessoas implicadas fossem retirados e que a guerra do Iraque fosse apresentada numa espécie de bruma, de uma forma menos crua. Mas eu não estou nessa disposição. Houve editoras, como a New Press, supostamente de esquerda, que recusaram publicar-me com medo de precessos judiciais, pois as pessoas visadas no livro podem apresentar queixas.
RME: Porque é que os médias como o New York Times e o Washington Post não falam do seu testemunho?JM: Porque eu não reproduzo a história oficial, segundo a qual as tropas estavam no Iraque para ajudar o povo, e também não digo que os civis morrem por acidente. Recuso-me a fazê-lo. Nunca vi tiros acidentais contra iraquianos e recuso-me a mentir.RME: E a atitude deles modificou-se?JM: Não, abriram as páginas aos objectores de consciência: opiniões e livros de pessoas que são contra a guerra, mas que não viveram este tipo de experiências. Continuam a não querer olhar de frente para a realidade.RME: Tem fotografias ou outros documentos que provem os factos que nos conta? JM: Não. Tudo o que me pertencia foi-me retirado quando recebi a ordem para regressar aos Estados Unidos. Voltei do Iraque com duas armas: a cabeça e uma faca.RME: Haverá uma saída para a guerra, a curto prazo?JM: Não, o que eu constato é que os republicanos e os democratas estão de acordo quanto a esta política. A guerra é um grande negócio para os dois partidos, que dependem do complexo militar-industrial. Seria preciso um terceiro partido.RME: Qual?JM: O do socialismo.RME: V. participou num debate cujo título era "Estados Unidos: a revolução é possível". Acredita mesmo nisso?JM: Já começou. No sul, onde eu nasci.RME: Mas o sul é, tradicionalmente, a região mais conservadora do país.JM: Depois do furacão Katrina as coisas mudaram. Nova Orleães parece Bagdade. As pessoas do sul estão indignadas e perguntam-se todos os dias como é possível investirem-se fortunas numa guerra inútil em Bagdade e que não haja um chavo para Nova Orleães. Lembre-se que foi no sul que começou a maior rebelião do país.RME: V. seria capaz de ir a Cuba?
JM: Tenho muita admiração por Fidel Castro e pelo povo de Cuba. Se for convidado, claro que irei. Estou-me nas tintas para o que diz o meu governo. Ninguém decide onde eu posso ou não posso ir.RME: Sabia que o símbolo do desprezo imperial pela nossa nação é uma fotografia de marines a urinarem para cima da estátua de José Marti, o herói da nossa independência?
JM: Sim, sim. Quando eu estava nos marines falavam-nos de Cuba como se se tratasse deuma colónia dos Estados Unidos e ensinavam-nos um pouco de história. É suposto um marine aprender coisas sobre o país que vai invadir, como diz a canção…RME: A canção dos marines?
JM (canta): "From the halls of Montezuma, to the shores of Tripoli…" [Dos salões de Montezuma às praias de Tripoli…]RME: Por outras palavras, o mundo inteiro…JM: O sonho é efectivamente dominar o mundo… mesmo que, para o realizar, tenhamos todos de nos tornar assassinos. 
In: brigadasinternacionais.blogspot.com/2007/12/censurado-filme-de-brian-de-palma.html

dezembro 30, 2007 | Permalink | Comments (0)

Vacinas só para alguns

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A questão da gripe das aves, subiu mais um patamar. Até agora, os casos havidos tiveram que ver com o contacto directo dos seres humanos com as aves infectadas, particularmente galinhas e patos.  Nos últimos meses, sem ser feito grande alarde pelas organizações responsáveis pela saúde pública, registaram-se já quatro casos de contágio com o víruos H5N1entre humanos.

Vietname, Camboja, Indonésia e, agora, Paquistão, são os países onde estes casos se verificaram. Embora a OMS diga que não se está perante um caso de contaminação generalizada, a situação não deixa de ser preocupante. E mais preocupante quando as autoridades portuguesas dizem que só há 2,5 milhões de vacinas, perante uma população de mais de 10 milhões. O que dá a entender que vai haver apenas um número restrito de 'eleitos'. Resta saber quem....

dezembro 29, 2007 | Permalink | Comments (0)

Justiça ou dinheiro fácil?

Na capital do Chade, N'Djema, está a decorrer o julgamento de seis franceses, da ONG 'Arca de Zoé', três chadianos e um sudanês, acusados de tentarem fazer sair do país 103 crianças, supostamente refugiados da vizinha região sudanesa do Dafur, mas na realidade, menores chadianos e com parentes adultos vivos.

Os franceses mantêm a convicção de que estas crianças serem sudanesas, com base nas declarações dadas pelos agentes angariadores na zona. Possívelmente os chadianos e os sudaneses detidos mas cujo papel nunca foi claramente divulgado pela comunicação social europeia.

O ministério público chadiano pediu penas entre os 7 e 11 anos de trabalhos forçados para os franceses, bem como uma indemnização de 6,3 milhões de euros, alegadamente para serem distribuídas pelas 103 crianças alegadamente sob sequestro, e ainda a preensão do avião, um Boeing. A indemnização a ser distribuída da maneira como o Procurador defendeu, daria  61.165 euros a cada uma.

O mais interessante é que mais de metade dos dez milhões de habitantes do Chade, sobretudo nas regiões do leste do país, que fazem fronteira com o Sudão e de onde são oriundas as crianças, vivem com menos de 70 cêntimos de euro por dia. O que significa que esta verba a cada uma das rferidas crianças - não é que não tenham direito a uma indemnização, mas esta deve ser regida pelo bom-senso e enquadrada na realidade social do país - as tornaria absurdamente milionárias, perante a restante população das suas aldeias. E como tal, factor de destabilização social.

Mas conhecendo, como conhecemos, o que é a corrupção nos países africanos, temos sérias dúvidas sobre se as crianças viessem a receber, verdadeiramente qualquer indemnização, ficando o dinheiro 'perdido' pelo caminho, mas nãos dos muitos políticos e funcionários.

Quanto ao caso do pedido de arresto do avião, basta lembrar o sucedido em 2004 na Venezuela. Um avião, neste caso português, foi apreendido pelas autoridades venezuelanas, por estar a fazer um serviço fretado para três portuguesas, uma das quais traficante de cocaína e que meteu a bordo várias toneladas de droga, com ajuda dos seus cúmplices, que não eram nem os outros passageiros, nem a tripulação do avião, um jacto topo de gama, Citation X, no valor de 16 milhões de euros.

Cerca de um ano depois, o dito avião foi alegadamente roubado a favor do vice-presidente do país, Vicente Rangel, com a cumplicidade de um general do exército venezuelano, que com documentos falsos logrou levantar a documentação do aparelho no tribunal de Roa. Entretanto, a aeronave foi ilegalmente utilizada pelas altas patentes militares e politicas da Venezuela.

Um exemplo do que acontece em países onde a corrupção é palavra de ordem, o que também não augura nada de bom para este caso no Chade.

Um terceiro aspecto: as organizações dos direitos humanos, sobretudo de índole anti-esclavagista africana e com sede nos países americanos, acusam com frequência e vigor e praticamente em exclusividade os brancos, sobretudo portugueses e espanhóis, de terem pracidado a escravatura e de terem levado de África para as Américas, milhões de negros. Mas os que estes moralistas se 'esquecem' é que os seus irmãos negros e africanos da costa marítima também estiveram envolvidos até às orelhas no tráfico de escravos, já que eram estes que faziam as 'caçadas' dos seus irmãos de raça nos territórios do interior para os vender por bom dinheiro aos brancos negreiros. Esta prática leva, por si, a estabelecer sérias dúvidas sobre o verdadeiro papel dos alegados agentes locais da 'Arca de Zoé': não teriam eles falsificados as coisas para comodamente angariarem o número de crianças 'refugiadas' que a organização pretendia levar para França, sem ter que se arriscarem aos campos de refugiados?

Com tudo isto, fica uma das questões fundamentais em relação ao julgamento dos franceses no Chade: com o pedido deste valor de indemnização, com padrões absurdamente altos para o nível económico do país, mais o pedido de arresto do avião, que não pertence à organização, apenas tinha sido alugado e onde as crianças nem chegaram a entrar, é para se questionar se isto é um verdadeiro pedido de justiça ou uma forma fácil de extorquir dinheiro aos brancos para encher os bolsos dos mandarins negros...Avio

(O Citation X apreendido na Venezuela, com a droga - foto: d.r.)

dezembro 26, 2007 | Permalink | Comments (0)

Causas perdidas ou a forma de fugir com o rabo à seringa

O Tribunal Constitucional rejeitou hoje o recurso que a Redes Energéticas Nacionais (REN), empresa gestora das linhas de eletricidade neste país, que alegava inconstitucionalidade da decisão do Supremo Tribunal Administrativo (STA) de negar a reavaliação do processo movido pela Junta de Freguesia de Monte Abraão contra a linha de muito alta tensão Famões-Trajouce.

O interessante do processo é como as grandes empresas, com vastos recuros económicos e apesar da alegada crise que se vive, esbanjam dinheiros, neste caso até públicos, em defesa dos seus interesses claramente contra os interesses das populações que deviam servir. Mais, esbanjam dinheiros em causas praticamente perdidas, apenas para não terem de enfrentar as consequências das suas más decisões e, consequentemente, más gestões.

Mais uma achega, a longo prazo, para a agitação social.399427736 (Foto José Goulão/Flickr- Direitos reservados)

dezembro 17, 2007 | Permalink | Comments (0)

Acidentes com autocarros

Nos últimos dois meses, Portugal foi abalado com a notícia de três importantes acidentes com autocarros, um de uma autarquia, os outros de empresas transportadoras: um em ligação regular internacional, outro num serviço fretado.

O primeiro destes acidentes, com um autocarro da Câmara Municipal de Castelo Branco, que transportava uma excursão de idosos, frequentadores da Universidade Senior local. Balanço: 16 mortos e 26 feridos, oito dos quais em estado grave. Segundo os testemunhos, muitos dos mortos e dos feridos, foram cuspidos do autocarro, quando este capotou na ravina ao lado da estrada.

Um par de dias depois, foi a vez de um autocarro que transportava 37 crianças e 7 adultos, depois de albarroado por um camião, despistar-se e tombar. Balanço quatro crianças e cinco adultos feridos com gravidade média, isto é, os ferimentos mais graves cingiam-se a eventuais pernas e braços partidos.

No último sábado, 8 de Dezembro, em Lérida, ocorreu um acidente com um autocarro português, que fazia a ligação Andorra/Portugal. Balanço: Três mortos e 13 feridos, seis com gravidade.

Desdes três casos, ressalta a disparidade de vítimas mortais: a resposta é simples: enquanto nos outros dois autocarros os passageiros levavam postos os cintos de segurança, o mesmo não sucedia, no da edilidade albiscastrense. O que reflecte bem o facilitismo e irresponsabilidade reinante no geral da sociedade portuguesa.

No caso do acidente em Espanha, ainda dois apontamentos: o condutor era a primeira vez que pegava naquele autocarro, para uma viagem que, na ida e volta comportava cerca de 2500 quilómetros. Outro sinal evidente de irresponsabilidade: por muito bom condutor que se seja, não é à primeira vez que se fica a conhecer um veículo, pelo que encetar, desde logo, uma viagem de várias centenas de quilómetros (bem certo que havia outro condutor para se revezarem) sem a condução adaptada às diversas características de um veículo é um passaporte para o acidente. Como, infelizmente, se viu....(Foto: autocarro sinistrado em Castelo Branco, d.r.)

Bus1

dezembro 10, 2007 | Permalink | Comments (0)

Traques salvadores

Capt_sge_hdm24_061207014652_photo00 Cientistas australianos descobriram que a flatulência dos cangurus está livre de metano, pelo que não é agressiva para a camada de ozono, donde, não causam efeito de estufa. Vai daí, ao depois, os cientistas estão a tentar isolar a bactéria que não permite a formação de metano nos gaeses intestinais e a arranjar maneira de ela poder ser instalada noutros animais, em particular nas vacas e ovelhas. Recorde-se que, só na Austrália, é estimado que os traques das ovelhas e vacas sejam responsáveis por 14 por cento das emissões de metano do país. Enfim, ao que tudo indica, os traques dos cangurus parecem ser os salvadores da fágil camada de ozono...

dezembro 06, 2007 | Permalink | Comments (0)

Seis suicídios por dia

Miguel de Unamuno (na foto), filósofo e escritor espanhol, que foi reitor da Universidade de Salamanca, ficou extremamente impressionado com a morte do seu amigo e correspondente Antero de Quental, que sofrendo de doença bipolar, se suicidou em 1891, numa crise grave de depressão. Em 1911, Unamuno, num dos seus ensaios, "Por terras de Portugal e Espanha", lembrando a morte do amigo, escreveu que Portugal é uma pátria de suicidas.

Quase cem anos depois, um estudo no terreno por parte da Aliança Europeia Contra a Depressão, revela que suicidam-se seis pessoas por dia em Portugal, sendo uma das principais causas de morte no nosso país. A par das doenças cardio-vasculares, do cancro e dos acidentes rodoviários. E mesmo estes dados, segundo o coordenador português deste programa, o psiquiatra Ricardo Gusmão, estão "artificialmente reduzidos, em menos 25 a 50 por cento, por deficiência no processo de registos de óbitos".

Seja como for, Portugal, mesmo apenas com os números seguros disponíveis, é o país com maior taxa de morte violenta por intenção indeterminada.

Há muito que defendo que o nosso País sofre de uma depressão colectiva que atinge fortemente, quer em intensidade, quer em quantidade, a população portuguesa. Uma depressão que, ainda segundo a minha opinião, resulta do confronto entre as expectativas criadas nos indivíduos, sobretudo ao longo da sua formação, e as cada vez mais fracas potencialidades que a sociedade portuguesa é capaz de oferecer.

Caso de Saúde Pública, mas também político-económico, de pais vendido a outros interesses que não os seus e de uma sociedade extremamente individualista, donde muito pouco solidária, e dominada pela mesquinhez de mentalidades.

E enquanto isso, os responsáveis politicos assobiam para o lado...Unamuno_28foto_in_bn29

dezembro 05, 2007 | Permalink | Comments (0)

Pai Natal em excesso de velocidade

Um consultor sueco calculou que o Pai Natal tem de visitar, nos dias 24 e 25 de Dezembro, 2,5 mil milhões de casas em todo o mundo. Calculando uma média optimizada de 48 pessoas por quilómetro quadrado e 20 metros de distância entre cada casa, se o Pai Natal saísse do Quirguisistão (não se preocupem que também nem imagino onde seja, nem porque o autor do estudo escolheu este país) e viajasse no sentido contrário ao da rotação da Terra, isto é, para Oeste, precisaria de 48 horas para entregar todos os presentes.

Resumindo, teria de viajar a 5.800 quilómetros por hora e demorar apenas 34 micro-segundos para descer pela chaminé, beber o leite e comer as bolachas e deixar os presentes, para fazer a tempo o seu percurso....Santa_claus_01 

(Imagem d.r.)

dezembro 04, 2007 | Permalink | Comments (0)

Abençoado momento de Glória

Esta noite, enquanto me alabanzava-me com um 'piano' XL e uma litrada de Chardonay fresquinho, no restaurante do Isaac, este safado de critpo-judeu que caiu nas minhas boas-graças anti-semitas, e aturava o fedor de um cigarro da mesa vizinha, à falta de melhor, espaireci o meu olhar no plasma da TV.
Aquela geringonça estava na SIC que, àquela hora, transmitia um episódio de uma coisa execrável, chamada 'Chiquititas'. Vá lá que, do mal o menos, era sem som.
Mas deu para perceber que aquilo é surrealismo do mais puro, a fazer inveja a Picasso. Mas, atenção!, surrealismo 'pimba'!
Que outra coisa dizer de uma telenovela de lixeira, em que uma das protagonistas tem ar de fodilhona de 30 anos, vestida ridiculamente à menina de oito anos; e outra das personagens é um canastrão que passa a vida na cozinha, com um ar ridículo entre cozinheiro e mordomo, de vestimenta que, no mínimo, é à maricas de S. Francisco, Califórnia?
Vá lá que o Chardonay ia tranquilamente fazendo o seu efeito anestésico e, em breve, deixei de olhar para aquela porcaria e espaireci as vistas numa folha em branco, em que apostei escrever a crónica de hoje do blog.
E nestes eflúvios, enquanto reparava no ar gaiato da morena de vestido de balão e olhar vivo, duas mesas à frente, abismava numa outra morena escultural, que jantava com  o  amante, careca de meia-idade, senti  todo o esplendor dos cronistas da época aurea dos anos 60, entre a guerra do Vietnam e  as ditaduras latino-americanas.
Abençoado momento de Glória!!!

PS - Apesar das críticas ao  fedor do tabaco da mesa vizinha, que fique registado que sou fumador. Mas de aromáticos tabacos de qualidade, e não dessa palha mal.cheirosa que por aí vendem!....

setembro 13, 2007 | Permalink | Comments (0)

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